Como o Gerenciamento de Obras Interfere no Valuation de um Ativo

27/01/2026

Do método ao valor patrimonial: o que o case da AXIA Energia nos ensina

 

Introdução

Em projetos de construção, retrofit ou expansão corporativa, é comum que o foco recaia quase exclusivamente sobre dois indicadores: prazo e custo. Entregar dentro do cronograma e do orçamento ainda é visto, por muitos decisores, como sinônimo de sucesso. No entanto, à medida que os ativos imobiliários passam a ser tratados como instrumentos estratégicos de negócio — e não apenas como espaços físicos — um terceiro eixo se torna cada vez mais relevante: o valor final do ativo após a obra.

É nesse ponto que o gerenciamento de obras deixa de ser apenas uma função operacional e passa a se tornar uma decisão de valuation. Em outras palavras: a forma como uma obra é planejada, coordenada e executada interfere diretamente no quanto aquele ativo vai valer depois que a obra termina.

Este artigo parte dessa premissa e avança em três camadas:

  1. O funcionamento real do gerenciamento de obras como método de organização da complexidade.

  2. A aplicação prática desse método no retrofit da sede da AXIA Energia, em Florianópolis, antigo edifício da Eletrosul.

  3. A conexão direta entre gerenciamento de obras e valuation de ativos imobiliários.


1. Gerenciamento de obras: mais do que prazo e custo

O gerenciamento de obras é frequentemente confundido com fiscalização de campo ou acompanhamento de cronograma. Na prática, trata-se de um conjunto estruturado de práticas que visam planejar, coordenar, controlar e integrar todas as etapas de um empreendimento, desde a leitura técnica inicial até a entrega final.

Quando bem aplicado, o gerenciamento de obras atua em quatro macrofases:

  • Planejamento

  • Execução

  • Controle

  • Encerramento

Cada uma dessas fases impacta diretamente não apenas o desempenho da obra, mas a qualidade, a durabilidade, a flexibilidade de uso e o valor patrimonial do ativo entregue.

1.1 Planejamento: onde o valor começa a ser definido

O planejamento é a etapa em que a maior parte do valor — ou da perda de valor — de um ativo é decidida.

É aqui que ocorrem:

  • Leitura técnica do edifício existente ou do terreno.

  • Definição clara de escopo e programa de necessidades.

  • Compatibilização entre projetos de arquitetura, estrutura, elétrica, hidráulica, climatização, iluminação e layout.

  • Planejamento executivo das soluções.

  • Organização do cronograma e das interfaces entre disciplinas e fornecedores.

Conflitos resolvidos nessa fase não se transformam em improviso, retrabalho ou patologias futuras. Em termos de valuation, isso significa reduzir risco técnico e aumentar previsibilidade de desempenho do ativo.

1.2 Execução: coordenação da complexidade

Na fase de execução, o gerenciamento de obras atua como organizador da complexidade em campo.

Isso envolve:

  • Coordenação entre frentes de trabalho.

  • Gestão de fornecedores e contratos.

  • Sequenciamento de atividades.

  • Supervisão técnica da execução.

  • Resolução antecipada de interferências entre sistemas.

Em obras complexas e, especialmente, em retrofits, grande parte do valor gerado está em saber exatamente onde intervir e onde não mexer.

1.3 Controle: previsibilidade em vez de improviso

O controle não é apenas acompanhamento de cronograma.

Ele inclui:

  • Monitoramento físico da obra.

  • Controle de prazos e custos.

  • Validação técnica das soluções executadas.

  • Emissão de relatórios.

  • Alinhamento contínuo com o cliente.

Do ponto de vista de valuation, controle é sinônimo de redução de incerteza e risco percebido.

1.4 Encerramento: entrega técnica e valorização do ativo

A forma como uma obra é encerrada também interfere no valor do ativo.

Uma entrega tecnicamente organizada, com sistemas funcionando conforme projetado, documentação completa e coerência entre projeto e execução, aumenta a vida útil do edifício e reduz custos futuros de manutenção.


2. O case da AXIA Energia em Florianópolis

2.1 Um ativo de arquitetura reconhecida

O edifício que por décadas sediou a Eletrosul e que hoje abriga a AXIA Energia é um marco da arquitetura brutalista em Florianópolis.

Com concreto aparente, grandes vãos centrais, modulação estrutural rigorosa e forte presença urbana, trata-se de um ativo com valor histórico, simbólico e construtivo significativo.

Não é um prédio comum. É um patrimônio arquitetônico.

2.2 O desafio do retrofit

Quando a AXIA Energia decidiu modernizar seus espaços internos, o desafio era claro:

  • Atualizar usos, layout e instalações.

  • Atender às demandas contemporâneas de ergonomia, conforto e tecnologia.

  • Preservar a arquitetura original e a identidade do edifício.

  • Não descaracterizar o valor do ativo.

Não se tratava de uma simples reforma.

Tratava-se de um retrofit maduro.

2.3 A entrada do gerenciamento de obras da IBR

Foi nesse contexto que entrou o gerenciamento de obras da IBR.

O trabalho começou com uma leitura técnica completa do edifício existente:

  • Estrutura.

  • Modulação.

  • Fluxos.

  • Vazios centrais.

  • Restrições físicas.

  • Possibilidades reais de intervenção.

A partir disso, a IBR conduziu:

  • Definição clara de escopo.

  • Compatibilização entre arquitetura, iluminação, climatização, elétrica e layout.

  • Planejamento executivo das soluções.

  • Organização do cronograma.

  • Definição das interfaces entre disciplinas e fornecedores.

Grande parte do que hoje parece simples no espaço pronto nasceu nessa etapa.

Conflitos foram resolvidos em projeto, não na obra.

2.4 Coordenação e controle durante a execução

Durante a execução, a IBR atuou como coordenadora técnica e organizadora da obra.

Isso envolveu:

  • Gestão de frentes de trabalho.

  • Coordenação de fornecedores.

  • Sequenciamento construtivo.

  • Supervisão técnica em campo.

  • Resolução antecipada de interferências entre sistemas.

Ao longo de todo o processo, houve:

  • Monitoramento físico da obra.

  • Controle de prazos e custos.

  • Validação técnica das soluções executadas.

  • Emissão de relatórios.

  • Alinhamento contínuo com a AXIA Energia.

O foco não foi apagar incêndios.

Foi manter previsibilidade.

2.5 O resultado

O resultado é um espaço interno moderno, ergonômico e funcional, convivendo em harmonia com a arquitetura original.

O concreto aparente, as escadas e os vazios centrais permanecem intactos.

A modernização acontece de forma quase invisível.

A obra desaparece.

O que aparece é apenas o espaço pronto.


3. Onde entra o valuation

3.1 O que é valuation no contexto imobiliário

Valuation é o processo de estimar quanto vale um ativo.

No contexto imobiliário, envolve:

  • Valor de mercado.

  • Valor patrimonial.

  • Atratividade para venda ou locação.

  • Risco técnico percebido.

  • Custo futuro de manutenção.

3.2 Como o gerenciamento interfere no valuation

O gerenciamento de obras interfere no valuation de três formas principais:

1. Redução de risco técnico

Projetos compatibilizados, execução coordenada e sistemas bem integrados reduzem a probabilidade de patologias futuras.

Menos risco = maior valuation.

2. Aumento da vida útil

Soluções técnicas bem planejadas prolongam a vida útil do edifício.

Maior vida útil = maior valor patrimonial.

3. Qualidade percebida

Espaços fluidos, coerentes e bem acabados aumentam a atratividade do ativo.

Maior atratividade = maior valor de mercado.


4. Gerenciamento como decisão de valuation

O case da AXIA Energia mostra que gerenciamento de obras não é apenas sobre entregar uma obra.

É sobre decidir quanto aquele ativo vai valer depois.

Um retrofit mal gerenciado poderia:

  • Agredir a arquitetura original.

  • Criar soluções improvisadas.

  • Gerar patologias futuras.

  • Reduzir a atratividade do edifício.

Tudo isso reduziria o valuation do ativo.

Um retrofit bem gerenciado:

  • Preserva a história.

  • Moderniza sem descaracterizar.

  • Reduz risco técnico.

  • Aumenta a atratividade.

  • Eleva o valor patrimonial.


5. Conclusão

O gerenciamento de obras é uma decisão de negócio.

Mais do que prazo e custo, ele define:

  • Qualidade.

  • Durabilidade.

  • Flexibilidade de uso.

  • Risco técnico.

  • Valor patrimonial.

O case da AXIA Energia mostra, na prática, como método, planejamento executivo, coordenação técnica e controle da execução transformam engenharia em valor de ativo.

Gerenciar uma obra é, no fundo, decidir quanto aquele ativo vai valer no futuro.

E é exatamente isso que o gerenciamento de obras da IBR entrega: previsibilidade, qualidade e valorização real de ativos.

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