A nova onda de investimentos em aeroportos no Brasil e o papel do BIM na execução de projetos complexos

16/03/2026

O anúncio recente de um plano de investimentos para ampliação e modernização de aeroportos brasileiros reforça um movimento importante no setor de infraestrutura. A iniciativa envolve recursos estruturados com participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e obras conduzidas pela concessionária Aena.

O programa prevê intervenções em 11 aeroportos do país, com destaque para a expansão do terminal do Aeroporto de Congonhas, que terá sua área praticamente duplicada. O objetivo é ampliar a capacidade operacional e preparar a infraestrutura para uma demanda crescente de passageiros.

Esse tipo de investimento revela uma tendência clara. A infraestrutura aeroportuária brasileira passa por um novo ciclo de modernização, marcado pela participação de concessionárias internacionais, financiamento estruturado e obras executadas em ambientes operacionais.

Nesse contexto, o desafio técnico vai muito além da construção.

O desafio de ampliar aeroportos em operação

Projetos aeroportuários possuem características que os tornam especialmente complexos.

Grande parte das intervenções ocorre com o aeroporto em funcionamento. Isso exige planejamento de fases construtivas, controle rigoroso de interferências e coordenação precisa entre disciplinas de engenharia.

Entre os principais desafios estão:

• integração entre arquitetura, estruturas e sistemas prediais
• logística de obra em áreas operacionais restritas
• compatibilização entre expansão de terminal e operação existente
• planejamento de etapas construtivas sem comprometer a operação aeroportuária
• controle de interferências entre sistemas críticos

A complexidade cresce quando os projetos envolvem ampliação de pátios, reconfiguração de fluxos de passageiros, novas áreas comerciais e modernização de sistemas de apoio.

É nesse ponto que a modelagem digital passa a ter um papel central.

BIM como ferramenta estratégica em projetos aeroportuários

O uso de BIM na infraestrutura aeroportuária permite antecipar decisões técnicas que, em métodos tradicionais, muitas vezes só seriam percebidas durante a obra.

Modelos digitais integrados permitem simular cenários, identificar conflitos entre disciplinas e planejar intervenções com maior precisão.

Entre os principais ganhos estão:

• compatibilização multidisciplinar em ambiente único de projeto
• detecção antecipada de interferências entre sistemas
• simulação de fases construtivas em aeroportos em operação
• apoio ao planejamento executivo da obra
• maior previsibilidade de custo e prazo

Em empreendimentos dessa escala, cada decisão de projeto impacta diretamente a logística de execução. Um conflito não identificado entre sistemas pode gerar paralisações, retrabalho e impacto no cronograma.

O BIM permite reduzir esses riscos antes do início da obra.

A engenharia consultiva na gestão de projetos de infraestrutura

Projetos aeroportuários exigem uma abordagem integrada de engenharia. Não se trata apenas de desenvolver disciplinas isoladas. O desafio está em coordenar informações, garantir compatibilidade técnica e assegurar que o projeto seja executável dentro das restrições operacionais.

A engenharia consultiva atua justamente nessa interface entre projeto, planejamento e execução.

Modelos BIM bem estruturados permitem organizar informações de diferentes disciplinas, apoiar decisões de engenharia e oferecer maior transparência ao processo construtivo.

Em projetos de infraestrutura, essa capacidade de coordenação técnica tem impacto direto na previsibilidade do empreendimento.

Infraestrutura, planejamento e previsibilidade

O novo ciclo de investimentos em aeroportos brasileiros reforça um ponto fundamental. Obras dessa escala exigem planejamento técnico robusto e integração entre disciplinas desde as fases iniciais do projeto.

A modelagem BIM se consolida como uma ferramenta essencial para lidar com essa complexidade.

Ao transformar projetos em modelos digitais integrados, a engenharia consegue antecipar problemas, otimizar soluções e reduzir riscos durante a execução.

 

Em um cenário onde cronograma, financiamento e operação precisam caminhar juntos, previsibilidade passa a ser um dos ativos mais importantes de qualquer projeto de infraestrutura.

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